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O Beijo no Asfalto – O Musical | Turnê Nordeste

O Beijo no Asfalto – O Musical | Turnê Nordeste

Ana Beatriz Figueras

agosto 25th, 2018

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Em sua primeira versão musical desde que foi escrita em 1960, obra clássica de Nelson Rodrigues realiza sua primeira turnê visitando 3 capitais do nordeste com patrocínio da Petrobras Distribuidora.

“O Programa Petrobras Distribuidora de Cultura é uma seleção pública que tem como objetivo contemplar projetos de circulação de espetáculos teatrais não inéditos, em parceria do Ministério da Cultura. No último edital foram investidos R$ 15 milhões. Ao todo, foram escolhidos 57 espetáculos, representantes de todas as regiões do País, com apresentações em todos os estados.”

 

Espetáculo tem canções de Claudio Lins, direção de João Fonseca, direção musical de Délia Fischer.

Incensado com o título de maior dramaturgo brasileiro, Nelson Rodrigues é também considerado um dos pais do teatro moderno, o homem que elevou a arte teatral a uma categoria superior e que revolucionou essa arte, quando seu “Vestido de Noiva” chegou aos palcos. Dono de um olhar profundo sobre a fragilidade da natureza humana, Nelson legou à posteridade uma série de clássicos, dos quais “O Beijo no Asfalto” é, sem dúvida, um dos maiores destaques. Lançado em 1960, o texto foi adaptado dezenas de vezes para o teatro e em duas versões cinematográficas. Ao completar 55 anos, ele volta aos palcos em sua primeira versão musical.

A remontagem teve sua primeira temporada em Outubro de 2015 no Teatro SESC Ginástico, no Rio de Janeiro, curiosamente onde o texto foi apresentado pela primeira vez nos palcos, em 1961. Para criar as canções, o ator e compositor Claudio Lins mergulhou durante quatro anos em uma extensa pesquisa sobre a sonoridade musical dos anos 60, período em que se passa a trama, buscando um resultado que soasse vintage, longe da modernidade dos dias atuais. O resultado foi cerca de 20 canções, 15 das quais deverão estar no palco – executadas por uma banda ao vivo, com bases pré-gravadas que lembram o som dos rádios nos anos 60.

“Não foi um trabalho fácil, foi um tanto de inspiração e um muito de transpiração” afirma Claudio, que garante que durante todo esse tempo jogou fora diversas canções que, depois de prontas, não se adequavam ao tema. Cauby Peixoto, Tito Madi, Vicente Celestino (um dos favoritos de Nelson), Orlando Dias, Roberto Silva, Nelson Gonçalves, Anísio Silva, todos eles foram fonte de inspiração. “Especialmente Dolores Duran, cujo universo se encaixa perfeitamente com os personagens de Nelson”, completa.  As novas músicas, aliás, serão intercaladas com trechos de algumas canções de época, cujas sonoridades ou temas são semelhantes.

A ideia de transformar Nelson em um espetáculo musical surgiu em 2009 durante a temporada de “Gota D’Água”, outro texto emblemático dos palcos brasileiros, que tinha direção de João Fonseca e a presença de Cláudio no elenco. “Eu tinha visto a montagem de ‘O Casamento’, também do Nelson, dirigida pelo João, e comentei com ele que, como ator, tinha o sonho de montar um espetáculo do Nelson. E aí ele sugeriu fazermos um musical. Minha primeira reação foi de dúvida, mas depois de algumas conversas eu já estava levantando a produção”, lembra Cláudio.

Um especialista em Nelson Rodrigues, de quem já montou quatro espetáculos e que considera seu autor favorito, João Fonseca afirma que essa montagem do “Beijo” traz uma nova luz, uma cara nova ao texto. “O Beijo é muito marcante, já foi muito visto, por isso precisa de um diferencial. É um clássico, mas agora vamos contar a história de uma outra forma, subverter. E isso não é estranho, porque o Nelson tem uma musicalidade muito marcante, que é específica dele. Vamos pegar um texto que já é muito bom, que é redondo, e acrescentar, criar uma nova versão. Acho muito bom estar fazendo algo assim bem pessoal, marcante. O Nelson é exagerado mas é também engraçado, não deve ser feito como uma novela das 8”.

Produzida por Claudio Lins e Ana Beatriz Figueras, essa turnê de “O Beijo no Asfalto – O Musical” tem no elenco Claudio Lins no papel de Arandir, Thainá Gallo como Selminha, Luca de Castro, como Aprígio, Juliana Marins, como Dália, Claudio Tovar no papel do Delegado Cunha e Thelmo Fernandes interpretando o jornalista Amado Ribeiro. Completam o elenco Jorge Maya, Janaina Azevedo, Ricardo Souzedo, Gabriel Stauffer, Pablo Áscoli, Beth Lamas, Philipe Carneiro, Marcéu Pierrotti e Marina Mota. Na ficha técnica, além de João Fonseca e Délia Fischer, estão Nello Marrese que assina os cenários, Luiz Paulo Nenén, a Iluminação, Claudio Tovar, os figurinos e Sueli Guerra na Direção de Movimento, entre outros.

Nesta circulação o espetáculo contará ainda com tradução de LIBRAS e audiodescrição em todas as cidades, garantindo o acesso a portadores de deficiência auditiva e visual, além de se apresentar em teatros que ofereçam acesso a cadeirantes e seus acompanhantes.

O projeto inclui também a realização de atividades paralelas:

– Palestra “Nelson Rodrigues e o teatro musical brasileiro”, apresentada por Claudio Lins, onde ele fala sobre o processo de composição das músicas originais do espetáculo, demonstrando como o momento é perfeito para esse encontro de duas grandes forças do nosso teatro. A palestra, que tem duração de 50 minutos, mostra ainda algumas das músicas que fazem parte da história dos musicais brasileiros, como “A volta do malandro”, “No tabuleiro da baiana”, “Sassaricando”, além de canções originais de “O BEIJO NO ASFALTO – O MUSICAL”;

– Oficina “A Libertação do Som”, ministrada por Janaína Azevedo, atriz e preparadora vocal do espetáculo. Com duração de 2 horas e destinada a estudantes e profissionais de artes cênicas, essa oficina pretende provocar o encontro entre voz, corpo e espaço unindo esses três elementos para se alcançar a liberação de sons reprimidos.

As duas atividades preveem acesso a portadores de necessidades especiais e são gratuitas.

 

O Beijo – Sinopse

Praça da Bandeira, Rio de Janeiro, uma tarde no início da década de 60. Um homem na calçada perde o equilíbrio e cai na frente de uma lotação, que o atira longe. A primeira pessoa a socorrê-lo é Arandir. Ao se debruçar sobre o moribundo, este pede um último desejo: um beijo. Arandir o beija. E logo depois o rapaz morre.

O episódio é presenciado por Aprígio, sogro de Arandir e pelo jornalista Amado Ribeiro. O astuto repórter policial do jornal Última Hora vislumbra no acontecimento a possibilidade de estampar na primeira página do dia seguinte uma história de manchete bombástica: O BEIJO NO ASFALTO. Para isso, convence o delegado Cunha a ajudá-lo na coação de testemunhas e na comprovação de fatos que pouco terão a ver com a realidade. O que importa é vender jornal.

E assim, os dias subsequentes se tornam um inferno na vida do pacato Arandir, um jovem bancário recém-casado com a sonhadora Selminha. Namorados desde a infância, os dois moram ainda com a irmã mais nova de Selminha, Dália, e recebem sempre a visita do pai das meninas, Aprígio. Levam uma vida morna e feliz de uma família de subúrbio carioca.

Mas a partir da reportagem de capa no Última Hora, a masculinidade de Arandir é posta a prova publicamente. Os fatos se confundem com uma ficção rocambolesca e Arandir passa a sofrer com a maledicência moral que vem de todos os lados – da imprensa, da polícia, da vizinhança, dos colegas de trabalho. Até chegar ao ponto da própria família passar a acreditar mais no jornal do que nele.

A Peça

A peça “O Beijo no Asfalto” foi escrita em 1960, por um autor maduro. Nelson Rodrigues tinha 47 anos e era seu 13° texto teatral. Além do mais, há cerca de uma década escrevia diariamente a coluna “A Vida Como Ela É” no jornal Última Hora, experiência enriquecedora na construção de tramas e personagens. Seu domínio era tanto que, segundo ele próprio, demorou apenas 21 dias para escrever a peça. Era uma encomenda feita pela atriz Fernanda Montenegro para sua companhia, a Sociedade Teatro dos Sete. A peça estreou no dia 07 de julho de 1961, com direção de Fernando Torres e cenários de Gianni Rato. No elenco, além de Fernanda, estavam Oswaldo Loureiro, Sérgio Britto, Mario Lago, Ítalo Rossi, Francisco Cuoco e Suely Franco, entre outros.

Desde então a peça teve inúmeras montagens e duas adaptações para o cinema. A primeira em 1963, com direção de Flávio Tambellini, tinha Reginaldo Farias, Norma Blum, Xandó Batista e Jorge Dória nos papeis principais. A segunda em 1981, com direção de Bruno Barreto, era estrelada por Ney Latorraca, Christiane Torloni, Tarcísio Meira, Daniel Filho e Lídia Brondi. O Beijo no Asfalto também foi adaptada para os quadrinhos, através do trabalho de Arnaldo Branco e Gabriel Góes.

Apesar dos percalços e de muita polêmica, a primeira montagem de O Beijo no Asfalto acabou se tornando o maior sucesso de Nelson Rodrigues até então. Ao todo foram sete meses em cartaz, com duas temporadas no Rio de Janeiro (Teatros Ginástico e Maison de France) e viagens pelo sul do país. O sucesso só não foi maior devido à renúncia de Jânio Quadros, quando a peça completava cerca de um mês e meio de temporada. Obviamente, o fato fez o Brasil parar por quase 10 dias, ficando à beira de uma guerra civil.

E não foi um sucesso tranquilo. Mesmo sem ter nenhum palavrão (aliás, nenhuma das peças de Nelson contém palavrões), muitos espectadores se sentiram ultrajados com a montagem. O que fez com que o próprio autor fosse para o saguão do Teatro Maison de France para interpelar os espectadores que saiam no meio do espetáculo. Quase sempre, convencendo-os a voltar.

A história de “O Beijo no Asfalto” é baseada em fatos reais ocorridos na época. O repórter Pereira Rego, do jornal O Globo, foi atropelado por um arrasta-sandália (espécie de ônibus antigo) e antes de morrer pediu um beijo para uma jovem que tentava socorrê-lo. A personagem do repórter policial Amado Ribeiro também existiu, e era colega de Nelson na redação do Última Hora. Aliás, Nelson gostava de colocar seus colegas como personagens de suas crônicas. Já tinha usado o próprio Amado Ribeiro como personagem no livro “Asfalto Selvagem ou Engraçadinha”.

 

FICHA TÉCNICA:

Direção Geral: JOÃO FONSECA

Trilha Original: CLAUDIO LINS

Direção Musical: DÉLIA FISCHER

Figurinos: CLAUDIO TOVAR

Cenário: NELLO MARRESE

Iluminação: LUIZ PAULO NENÉN

Direção de Movimento: SUELI GUERRA

Direção de Produção Turnê: ANA BEATRIZ FIGUERAS

Desenho de Som Original: CARLOS ESTEVES

Assistente de direção: LUCAS MASSANO E PHILIPE CARNEIRO

Assistente de Figurino: THIAGO DETOFOL

Assistente de Cenografia: LORENA LIMA

Programações Eletrônicas e Arranjos Musicais: HEBERTH SOUZA

Pianista Regente e Assistente Direção Musical: EVELYNE GARCIA

Arranjos Vocais: AUGUSTO ORDINE

Preparação Vocal: JANAÍNA AZEVEDO

Produção Executiva Turnê: ALINA LYRA

Produtor Assistente Turnê: RODRIGO MARNET

Administração Financeira: RODRIGO GERSTNER

Idealização: CLAUDIO LINS

Realização: SEMPRE MAIS PRODUÇÕES ARTÍSTICAS

MACEIÓ:

Produção e Assessoria de Imprensa Local: SUE CHAMUSCA ARTE E ASSESSORIA

RECIFE:

Produção e Assessoria de Imprensa Local: DENISE MORAES

ARACAJU:

Produção Local: MERCINHA BARRETO

Assessoria de Imprensa Local: PEDRO CARREGOSA

 

PRÊMIOS:

 

Prêmio Botequim Cultural = 7 prêmios / 8 indicações

vencedor melhor atriz LAILA GARIN

vencedor melhor ator CLAUDIO LINS

vencedor melhor atriz coadjuvante YASMIN GOMLEVSKY

vencedor melhor figurino CLAUDIO TOVAR

vencedor melhor direção  JOÃO FONSECA

vencedor melhor direção musical DELIA FISCHER

vencedor melhor espetáculo

indicação melhor ator coadjuvante THELMO FERNANDES

 

Prêmio Cesgranrio = 1 prêmio / 3 indicações

indicação melhor atriz em musical – LAILA GARIN

indicação melhor ator em musical – THELMO FERNANDES

vencedor prêmio categoria especial pela adaptação da obra de Nelson Rodrigues para o teatro musical – CLAUDIO LINS

 

Prêmio Shell = 1 indicação 

indicação categoria inovação – CLAUDIO LINS

 

Prêmio APTR (Ass. Produtores Teatro Rio de Janeiro) = 2 indicações

melhor música – CLAUDIO LINS

categoria especial pela adaptação da obra de nelson rodrigues para a linguagem do musical – CLAUDIO LINS

 

Prêmio Reverência = 1 prêmio / 6 indicações

VENCEDOR melhor atriz em musical – LAILA GARIN

indicação melhor ator coadjuvante em musical – CLAUDIO TOVAR

indicação categoria especial pela adaptação da obra de Nelson Rodrigues para o teatro musical – CLAUDIO LINS

indicação direção musical – DELIA FISCHER

indicação design de som – CARLOS ESTEVES

Indicação Melhor Espetáculo Musical

 

Considerado o melhor espetáculo do ano de 2015 pelo site especializado Almanaque Virtual.

 

Seleção Oficial: Festival de Teatro de Curitiba 2016

Seleção Oficial: FITA- Festa Internacional de Teatro de Angra 2016 (abertura)

 

SERVIÇO

 

MACEIÓ:

Teatro Gustavo Leite (Centro Cultural de Exposições Ruth Cardoso)

Capacidade: 1.251 lugares

Endereço: Rua Celso Piatti, s/n – Jaraguá

Telefone: (82) 3235-5301 / 99928-8675

Dia e Horário: 30 de agosto de 2018, quinta, às 20h

Ingressos: R$ 25,00 (inteira), R$ 12,50 (meia) | www.eventim.com.br

 

RECIFE:

Teatro Luiz Mendonça – Parque Dona Lindu

Capacidade: 587 lugares

Endereço: Av. Boa Viagem, s/n – Boa Viagem

Telefone: (81) 3355-9821 / 3355-9823 / 3355-9822

Dias e Horários: 4 e 5 de setembro de 2018, terça e quarta, às 20h

Ingressos: R$ 25,00 (inteira), R$ 12,50 (meia) | www.eventim.com.br

 

ARACAJU:

Teatro Atheneu

Capacidade: 800 lugares

Endereço: Rua Vila Cristina, s/n – São José

Telefone: (79) 3179-1910

Dia e Horário: 8 de setembro de 2018, sábado, às 20h

Ingressos: R$ 25,00 (inteira), R$ 12,50 (meia) | www.guicheweb.com.br

 

Duração: 150 minutos com intervalo

Classificação Indicativa: 14 anos

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